A Vida nunca é mesmo como queremos.

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Existe e existirá sempre uma altura da vida em que perante um cenário complicado, pensamos que a vida era muito mais fácil quando éramos crianças. Quando tínhamos a doce inocência da vida, em que a nossa vida era mais facilitada para a grande maioria de nós. E recordamos tempos idos, onde um brinquedo, música ou série de desenhos animados, leva-nos a uma outra dimensão temporal, onde não haveria aos nossos doces olhos, os problemas que hoje enfrentamos. E tantas vezes, que tantas pessoas, em tantas casas guardam em si tantos problemas, iguais a tantos deste mundo nosso. Crescer doí. Crescer é complicado. Enfrentar as desilusões amorosas, profissionais, familiares… Custa. Irá sempre custar. Podemos tropeçar muitas vezes, dar trambolhões e encontrões com tudo o que o destino nos dá. Em vez de reagirmos firmemente com uma curva ascendente da vida, caímos na pior das escolhas inconscientes. Criamos vícios para não enfrentarmos aquilo que tanto nos incomoda. Bebemos para esquecer. Comemos para enfardar a culpa. Se for preciso até trabalhamos mais num trabalho que não gostamos, só para não ter que lembrar alguma triste sina. Perdemos a inocência que outrora a grande maioria de nós tínhamos. Começamos a criar sentimentos, a dar vida aos buracos e pesos emocionais, a imaginar as mais perfeitas mentiras, para mais uma vez, não encararmos. E com isto o que fazemos ? Tornamos cada vez mais complicada a vida, alteramos inconscientemente a nossa identidade, suprimimos a nossa existência e deixamos de ter em nós mesmos, aquilo que apreciamos noutras pessoas que admiramos.

Não tem de ser assim. Sempre disse que falar é fácil e concretizar é complicado e que manter é que é realmente dificílimo. Mas o ser humano apesar de ter os seus momentos altos de perfeição, está longe de ser perfeito, e cabe a cada um de nós, voltar a ter esses lampejos de luz em vez de cairmos na tentação de criar caminhos para evitar a avenida principal da vida.

 

As respostas que necessitamos nem sempre aparecem quando queremos e da forma que queremos. As vezes lemos livros, ouvimos pessoas com experiência de vida, retiramos lições do que se passa com os que são próximos, e embora tudo isto seja útil, a verdade é que tudo o que precisamos, está dentro do nosso íntimo. Não precisamos de seguir um método, um pensamento especifico, um caminho alternativo. A nossa intuição, a intuição que o ser humano sempre teve, é e será sempre o apoio mais significativo que poderemos ter. Afinal senão confiarmos na nossa pessoa, em quem confiaremos ? Confiança e auto-estima será sempre importante, e não importa o que dizem, temos o nosso valor e isso é um dos pilares da nossa fundação enquanto pessoa. E há sempre os outros ? Haverá sempre. Mas que os outros não podem ter um impacto extremo sobre nós, isso tem de ser não só uma realidade, mas como de facto uma certeza. Desistir dos nossos sonhos, dos nossos objectivos é algo que nunca, mas nunca deverá acontecer por mais importante seja ou uma situação ou outra pessoa. Temos de viver a nossa vida pelo que acreditamos e não pelo que nos impõem. Porque as pessoas passam e vão, algumas ficam, mas a convivência com a nossa própria alma, é um convívio eterno. E por esse mesmo motivo, das pessoas que passam, vão e ficam, é que deveremos ter sempre o cuidado de não nos deixarmos envenenar pela toxicidade natural que algumas pessoas e situações possuem. Há pessoas que são tóxicas pela sua amargura da vida. Há outras que são naturalmente tóxicas. Se as primeiras deveremos ter compaixão q.b, com as segundas não há chance. É como tentar fazer um leão não atacar uma gazela. Pode não fazê-lo logo, mas o instinto natural é mais forte que tudo. Outro “algo” que acontece na nossa vida adulta, é falarem mal. Podem não gostar da tua maneira de ser, do teu estilo, da tua atitude, as vezes até coisas tão imperceptíveis que nem damos conta da existência delas. Mas não é sermos como elas que evoluímos. E sendo superior em todos os aspectos, em todas as abordagens é que conseguimos uma paz superior, uma serenidade de quem sabe o que quer, para onde vai e como vai lá chegar. E se falar mal é horrível, e com uma promiscuidade moral que as pessoas de bens não engolem e sofrem com isso, o que dizer da competição ? Das lutas incessantes por uma posição, por um cargo, pelo querer ter poder. Ser competitivo, é ser amargo, é ganhar frustrações e causar problemas onde eles não deveriam existir. A única competição saudável que existe é com o nosso ser. Em querer ser melhor e melhor do que já somos. Porque melhorar o nosso caminho terá sempre um reflexo que se espelha em todos aqueles que nos rodeiam. Outra coisa que preocupa as pessoas é a popularidade, o estar sempre rodeado de pessoas, mesmo que essas pessoas não tenham significado. A popularidade é nada sem respeito. Não é nada sem confiança. De que serve ser popular e estar bem relacionado se no nosso intimo estaremos sozinhos ? Que utilidade há se é algo efémero, pois tanto estaremos na mó de cima como na mó de baixo ? Lá diz o ditado popular, mais vale poucos mas bons. Igualmente bons são os momentos deliciosos da vida. Mas nem sempre a vida é um lugar feliz. A impermanência faz com que haja mudanças na vida que não esperamos no nosso programa. Tirando a perda de alguém que amamos muitos, que é uma perda em que é impossível retirarmos algo de positivo, há mudanças que ao parecerem negativas, com a visão de outro ângulo, podem de facto abrir uma outra porta, dar uma outra oportunidade, relembrar algo que já tínhamos esquecido. É complicado enfrentarmos esse tipo de situações, principalmente quando a vida dá as voltas que dá. Mas das fraquezas nascem forças, e das forças crescem energias, que por sua vez dão projectos, ideias e experiências. Retirar algo por mais pequeno que seja de positivo, de uma imensidão negativo, é provavelmente das vitórias pessoais que alguém poderá ter. Isso senão cairmos num erro típico, que é tornarmos-nos numa pessoa pessimista, negativista, que atrai o que todos renegam e rejeitam, em que imaginamos que tudo irá correr mal, só porque tem de correr mal. Negativo gera negativo. Complexidade cria mais complexidade. Tristeza só dá nascimento de mais tristeza. A vida é uma linha que tem curvas e mais curvas. Por mais que tentemos ir em linha recta, as curvas sucedem-se mesmo sem querermos. Mas iremos chegar ao nosso destino. Mas é preferível chegarmos ao nosso destino com sentido de felicidade e paz interior do que com um sentido de desgaste, nervos e podridão. Esse caminho tem de ser feito com verdade de bem. Com a verdade de espírito. A verdade não deixa de ser verdade porque ignoramos. A verdade não deixa de ser fundamental para tudo o que envolve a componente humana. Se saber ser verdadeiro é crucial, mas crucial é sabermos aplicar a verdade para o bem. Pode ser cruel enfrentar a verdade, mas é de facto a verdade que faz com a vida tenha muito sentido tanto para nós como para os outros. Porque podemos não ter a inocência que existia enquanto crianças. Mas substituirmos a inocência da infância pela verdade adulta e sincera, faz com que tudo tenha sido em vão. Porque a verdade juntamente com todos os pontos que abordei, é que faz com que a nossa viagem tenha um princípio, meio e fim.

 

Autor:

Aprendiz de Escritor.

6 opiniões sobre “A Vida nunca é mesmo como queremos.

  1. Grata Paulo César pelas suas palavras porque mais do que palavras são sentires, são experiências de vida, são cenários pelos quais passamos e que conseguimos retratar, no fundo conseguimos falar com alguma naturalidade sobre a nossa vida! E comunicamos connosco e com os outros nessa base mesmo que nos achem arrogantes e fora do contexto. Mas, esse é o caminho aquele em que tomamos consciência da nossa ignorância e que somos pois uns aprendizes, porque aprendemos e crescemos a cada hoje que passa! Muito obrigada gostei muito de o ler e cresci neste momento mais um pouco! Um abraço

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