Visão do Amor

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Houve tempos, em que éramos meras crianças, em que acreditávamos que as coisas como amor era apenas simples contas aritméticas. Que era apenas juntar coisas distintas, misturar e que de repente sairia um amor para toda a vida. Como se toda a nossa vida fosse algo eterno, como se o caminho da vida fosse linear, sem mudanças, sem surpresas boas ou más. Simplesmente era a crença que a maioria das crianças tinha, de que uma panóplia de planos iriam ser concretizados. É essa a inocência que a magia de ser criança nos proporciona. Ser adulto e querer amar doí. Dói na proporção de nos entendermos dar. Amar alguém é uma ideia de perfeição, mas não ter ninguém não tem de ser uma sentença de morte. Na nossa fase adulta, amar e ser correspondido não é ter uma relação eterna, sem pequenas discussões, sem percalços e sem trocas de planos. Amar nesta altura da vida, neste campeonato longo que é a vida, é muito mais complexo que isso. Porque no meio de coisas que a maioria não consegue abstrair-se como aborrecimentos do trabalho, pequenas questões de estética ou visual, ou de uma atitude que desiludiu, amar é uma conquista, é uma vitória conjunta. Porque apesar de tudo, amar e saber que há outra pessoa que nos espera com o mesmo sentimento é mágico no sentido de que tudo ficará bem, por si só. Há coisas que acontecem quando amamos, que antes nem notávamos ou queríamos saber. Valorizamos mais o momento em que vivemos. Que quando é verdadeiro, podemos expor-nos psicologicamente e espiritualmente, e em vez de sermos julgados, sermos abraçados pela benevolência. É não dar a mínima importância a pequenos detalhes e imperfeições que outrora poderíamos achar relevantes. É rir das coisas mais idiotas que só os dois entenderão, parece meros tontos numa multidão. É “amor e uma cabana” porque não há dinheiro para um duplex. É abdicares do teu gelado preferido porque esse amor olha para ele com ar de gula. É saber abdicar de algo quando o contexto desse amor é essencial. É apreciar cada instante como se fosse o último que tivesses com essa pessoa, para a intensidade ser de uma frequência notável. É descobrir novas vontades, diferentes gostos porque essa pessoa te abriu horizontes. É viver um com o outro sem ter a necessidade de se anular a si próprio. Porque um coração quando se dá a alguém, simplesmente se entrega, sem qualquer critério, apenas com a condição de ser retribuído. É tudo isto que os que amam sabem. Aos que ainda não amam, a paciência é a maior das virtudes. Sem a pressão da vida ou a percepção do tempo. Porque todos neste mundo temos alguém para nós. E se soubermos esperar, a contemplação da delicia do amor será sem dúvida mais saborosa. Com um aroma próprio de quem esperou, entregou e amou. A verdade que fica é esta: Nós temos de amar quem realmente temos de amar, e não amar pela necessidade de amar.

Autor:

Aprendiz de Escritor.

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